sábado, 3 de outubro de 2009

Rapidinha e gostosa

Revirando o baú do Nhô Zé Vi, encontramos mais uma pérola:

RAPIDINHA E GOSTOSA

É reanimador saber que nem tudo tem que seguir os padrões normais para ser bom e gostoso. Muitas vezes os momentos são recadeiros brilhantes, capazes de exprimir em cada reflexo uma verdadeira sensação de renascer. São como cachoeira explosiva e volumosa, capaz de explorar cada milímetro do sentimento expresso em toda história de uma pele cheia de contos, cantos, sonhos, matizes...
Feliz o ser genuíno que consegue traduzir em um sorriso, a rapidez de uma paixão. Feliz o ser que expõe hercúleamente sua verdadeira hóstia em forma de sentimento e amor. Feliz quem mostra a saída do labirinto ao parceiro ávido, como se fosse o começo de tudo e a razão de toda essa ópera nativa e ardente.
Não importa ao momento seu tempo, mas o tempo do seu momento.
Cada gota de amor desejado e pactuado excessivamente, pode traduzir-se em um raio brilhante e fervoroso de espaços, instantes, ocasiões e até circunstâncias.
Como se fosse uma mordida muda e nua na nectarina reluzente. Uma lambida úmida e ofertante na fenda mágica do resultado da joshua rústica e persistente. Um toque paciente e moroso no fruto macio da paineira.
E então num místico segundo explodem as luzes multicoloridas dos fogos de artifício povoando a alma e as entranhas, tornando inesquecível o misterioso momento ímpar...
É assim que acontecem os milagres.
São rapidinhos.
Mas trazem em seus íntimos a nitidez de uma vida, de uma simbiose, de uma verdadeira paixão!
E deixam como herança a saudade doce de um momento que o tempo não apaga e a paixão aconchega em seu seio, em sua eternidade.

Zé Vi 30.03.2004 – 17:21 hs.

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